14/06/2012
Reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo, com comentário do Dr. Alexandre Nassar Lopes.
Caso Yoki: família diz não duvidar de paternidade

Advogado dos pais de executivo esquartejado dia 20 nega que pedirá exame de DNA de filha de 1 ano de assassina; menina pode herdar R$ 218 milhões
WILLIAM CARDOSO 

O advogado Luiz Flávio D'Urso disse ontem que a família não tem dúvida de que o executivo Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, é o pai da filha de Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30. Elize matou e esquartejou o marido em maio. A filha do casal, de 1 ano, pode herdar R$ 218 milhões.

Segundo D'Urso, não é a família que pretende pedir o exame de DNA, algo que faria parte de um "conjunto de apuração no âmbito criminal". "A filha é o que os une, portanto (o exame) é mais uma prova a ser realizada. Nada que possa trazer um fato diferenciado de suspeita, nada disso. Tanto é que a posição da família é de que ela é neta e eles vão dar assistência, não têm nenhuma desconfiança em relação a isso."

O advogado disse que "não há nenhum dado que gere desconfiança com relação à paternidade", mas "é prudente que se faça (o exame)". "Mas o avô não vai requerer isso. No meu sentir, caberia à autoridade policial ou ao Ministério Público, porque aí você pode ter uma motivação do crime, se tiver um resultado diferente do esperado", disse.

Defesa. Advogado de Elize, Luciano Santoro disse que a cliente tem total convicção de que a menina é filha de Matsunaga. "Não há por que o Ministério Público requerer o exame de DNA. Marcos registrou a menina, sabia que era o pai, todos em volta também sabiam. É lamentável que esse fato tenha sido divulgado à imprensa", disse. "Não é uma questão que influencie o crime. É uma injustiça com a criança."

Dinheiro. Por trás de supostas desconfianças, mesmo que por "prudência", há uma fortuna que pode ser de até R$ 218 milhões, caso o R$ 1,75 bilhão da venda da Yoki, divulgada durante o desaparecimento de Matsunaga, seja distribuído igualmente entre todos os herdeiros.

Mas o advogado da família negou que exista qualquer interesse econômico em discussão neste momento. "Não tem motivação financeira, porque o negócio não se efetivou ainda, deve demorar uns dois ou três meses, segundo informações, para ser concluído", disse D'Urso.

Se não há dúvida em relação à paternidade, é sobre a guarda da menina que deve se desenrolar um novo capítulo do caso. Por enquanto, os dois advogados dizem que isso não está em discussão. O tutor terá também o direito de administrar o que a criança receber como herança, até que ela complete 18 anos.

"Quem tiver a guarda ganha o poder de gerir esse patrimônio. Vai ter de prestar conta para o juiz e para o restante da família. A guarda vai ser difícil de se definir", afirmou o especialista em Direito de Sucessão e Família, Alexandre Nassar Lopes.

Ontem, em entrevista à TV Bandeirantes, uma ex-funcionária do casal, que era responsável pela arrumação do apartamento e presenciou várias brigas, disse que foi demitida por Elize três dias depois do crime. Ela ainda não foi ouvida pela polícia.